Há mais de meio século os africanos eram escravizados, conduzidos à ferro ao destino mais sombrio de suas vidas. O regime colonialista criou um império de segregação gritante baseado no grau de pigmentação da pele e os negros sofriam a fúria da civilização, do proselitismo forçado e o repúdio aberto da humanidade dos indígenas era visceral que os assimilados, os intermediários, usufruíam uma posição privilegiada relativamente a classe robustamente enegrecida. As mulheres, os seres divinos no panteão africano, viam-se despidas à força para satisfazer os desejos sexuais do homem branco. A tortura corporal, os estupros, o trabalho forçado e a matança faziam parte da vida quotidiana dos africanos. A Bíblia, a Filosofia, a Antropologia, a História justificavam a escravização do continente e exploração irresponsável dos recursos naturais, do povo e das suas tradições. Na década de 1960 marca-se um período das independências africanas e uma etapa incipiente do percurso das liberdades. No entanto, o que é liberdade? O facto de estarmos político e economicamente independentes, em certo grau, ao Ocidente significa que já estamos realmente livres?
A Declaração Universal dos Direitos Humanos no seu preâmbulo reza:
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em actos bárbaros que ultrajaram a consciência da humanidade e que o advento de um mundo em que mulheres e homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do ser humano comum.
Como se pode ver que a mobilização da consciência humana que consista em um exercício diverso de pensar, crer, escolher e se relacionar assenta na liberdade dos indivíduos.
A liberdade humana é o garante da sobrevivência e a diversidade cultural e interculturalidade consciente. A liberdade envolve a capacidade de autodeterminar-se autonomamente e agir em total independência. No continente africano não se regista políticos fautores do destino da nação, pois dependem dos empréstimos exteriores, importações filosóficas e culturais asfixiando directamente quaisquer probabilidades de construção ontológica, individual e criativa dos entes pensantes que, tristemente, encontram-se determinados ou condicionados por ideologias alheias aos progressos epistemológico, económico e politico originais proporcionadores do crescimento de infra-estruturas onde possa respirar a ciência e a preocupação do futuro da África.
O segmento religioso conhecido calvinismo nega a liberdade dos humanos na íntegra. Os humanos seguem um destino obscuro de Deus do qual jamais se libertam e todas as aparentes escolhas desaguar-se-ão num decreto há mais de milhões de anos decretadas, as quais chamaremos escolhas predestinadas. Os homens são pobres, adoecem e morrem porque assim quis o SENHOR DOS MUNDOS. No entanto, o arminianismo uma corrente soteriológica ou teológica que concede o homem a liberdade ou vontade de escolher entre Deus ou Satanás.
Quer por via teológica ou não existem determinismos que colocam o conceito de liberdade em choque e no âmbito de não consensualidade de conceitualização. O mais importante é saber que ter liberdade ou anelá-la é o sonho mais nobre dos seres humanos. A nível da política, isto é tão bom para autodeterminação dos povos. Na África o alcance da independência não se coaduna com a criação das liberdades plenas.
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